06/10/2010
A produção industrial regional registrou tendência de desaceleração no segundo trimestre, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se tanto de uma menor produção de fato, como do efeito estatístico, devido a uma base de comparação já mais elevada.
No início do ano passado, os efeitos da crise financeira internacional eram mais fortes, tendo afetado a produção, o que já não ocorreu com tanta força no segundo semestre, de recuperação econômica.
Na comparação de agosto com julho, a média da produção nas 14 regiões pesquisadas do país apresentou ligeira queda, de 0,1%. No primeiro trimestre do ano, o crescimento acumulado foi de 18,2%. De abril a junho, o avanço já foi menor, de 14,3%. Por enquanto, no segundo semestre, julho e agosto acumulam avanço de 8,8%, o que evidencia a tendência de que, no terceiro trimestre, a taxa fique mais baixa.
"Há uma redução do ritmo no segundo semestre, mas a base de comparação também ajuda a explicar esse movimento", disse o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Luiz Macedo.
Na comparação anual, Macedo explicou que ainda permanece o perfil de expansão em todos os locais pesquisados pelo IBGE. "A base de comparação acaba exercendo algum tipo de influência, explicando não só o perfil disseminado, mas também a magnitude do crescimento", disse.
No mês, a principal contribuição negativa foi do Paraná, com perda de 7,2% em agosto. O resultado está muito influenciado por uma paralisação no setor de refino, o que faz com que o resultado seja pontual. Houve também pequena influência do setor de produtos químicos.
Em Goiás, foi registrada a segunda maior perda, de 4,8%, devolvendo parte do ganho de 9,5% de julho. A queda deve-se aos produtos químicos, principalmente na parte ligada à indústria farmacêutica, que recua neste mês no país todo.
A indústria do Rio Grande do Sul teve uma produção 4,3% menor do que em julho, quando havia avançado 4,4%. Outro impacto negativo relevante é do Amazonas (-3%), devido ao setor de material eletrônico e de comunicações, com menor produção de televisores (antecipada para a Copa do Mundo) e de eletrodomésticos.
Entre as cinco regiões que cresceram, São Paulo (5,3%) exerce o principal impacto positivo. Este foi o segundo avanço consecutivo do Estado, que havia crescido 0,9% no mês anterior. "Isso pode estar relacionado ao crescimento de bens de capital no país. É a única categoria que mostra avanço, cresce 1,4%", disse o gerente do IBGE.
A metalurgia básica pode explicar a estabilidade de Minas Gerais, com ligeira queda de 0,1%. Neste setor, há produção fora do país muito elevada e a taxa de câmbio acaba tornando ainda mais vantajoso para setores que consomem esse produto importá-lo. "Lá fora está mais favorável do que a produção no mercado interno", disse Macedo.
O Rio de Janeiro gera o segundo impacto positivo no país em termos absolutos, com alta de 1,6%, atrás apenas do Pará (2,4%). O Rio mostra o quarto crescimento seguido, impulsionado por veículos automotores, especialmente com o setor de caminhões e carrocerias. O avanço acumulado nos quatro meses é de 6,8%.
O Globo